Sunday, November 09, 2008

Não Estamos Mais em 1992

Pois bem, amiguinhos.

Tenho a impressão de que as pessoas estão finalmente aprendendo a se portar como pessoas nos eventos de música.

Recentemente, fui ao felissíssimo show do Mudhoney, e saí de lá não só satisfeita com o show, mas satisfeita com o comportamento das pessoas a meu redor.
Ao contrário do outro não tão recente concerto da banda ao qual compareci - onde presenciei até as pessoas mais resistentes que conhecia não aguentarem se manter perto do palco, região com extrema incidência de pisoteamento e desmaios causados por asfixia, sem falar das queridas idéias de ficar flutuando deitado por cima dos outros epectadores, tomando impulso com os pés sobre as milhares de cabeças ali presentes. Isso, além de arrebentarem as próprias cabeças no chão, mas eu confesso que até gosto de presenciar tal cena. E ainda, não era necessário ser um grande e meticuloso observador para notar que esses indivíduos se esforçavam quase que integralmente para aparentarem estar sob um nível de álcool MUITO maior do que realmente estavam. Não era o comportamento de todos, mas era dado como normal.

Já no felissíssimo show do Mud, o mais recente, os indivíduos com o perfil de comportamento descrito acima já eram poucos, poucos o suficiente para que se destacassem na multidão e para que as outras pessoas reclamassem de eles estarem enchendo TANTO o saco, que até os caras da banda se irritaram:

"Vocês estão passando por cima da cabeça das pessoas, se jogando, caindo muitas vezes no chão e se machucando. Quero pedir para pararem com isso. Não estamos em Seattle. Isto não é mais 1992." Mark Arm, Clash Club, 17 de outubro de 2008.

Pessoalmente, eu já pensei estar em Seattle - pelo menos agia de tal forma. Porém, ao longo dos anos eu fui deixando de ter 14 anos (sim, eu demorei alguns anos para deixar de ter 14) e percebi que tais atitudes já não faziam mais sentido. Não estamos mais em 1992.

Agir desta forma não é rebeldia, é vazio e ainda atrapalha quem quer assitir a um show de músca.

É o que o diga a menina posicionada na grade, logo à frente de mim do show do Breeders de ontem. O moço atras dela me parece que confundiu o festival Planeta Terra com o Lolapalooza de quase 20 anos atras, ou pior, com a Seattle Night de alguns rock bares.
Tal indivíduo, iniciado o show, começou a esmagar violentamente a menina, pulando, cotovelando, de modo que fosse necessária a intervenção do meu namorado e olhares mal-encarados de pessoas que estavam notando a ação do retardado. Ação essa, diga-se de passagem, totalmente DESTOANTE das outras pessoas ali presentes.
Depois disso, ele ficou quieto e passou a agir como uma pessoa que queria assistir ao show.
Imbecil.

Bom, já descorri demais por hoje, depois comento melhor do festival que fui ontem, caso estejam interessados ou não...

Enfim, galerinha, tchau!


saudade do junker, foi mal não atender o cel =(

13 rugas de expressão:

Junker said...

"Não estamos mais 1992"

essa frase resume o movimento grunge atual.

Anonymous said...

se quebrar em um concerto é algo incrível e único.
é recomendado fazer quando se é jovem, não precisa ter 14 mas algo perto disso. com 30 a coisa já ficaria um pouco mais engraçada. etiqueta é a última coisa que se é pensada enquanto num show (daqueles que valem a pena).
ninguém sai querendo se machucar, muito menos a outros. acontece, só naquela hora. calor do momento.

Lucas Zecchin said...

Também acho que as pessoas estão mudando a forma de se comportar em shows.. não que eu vá em muitos deles pra constatar, mas já eh alguma coisa..

Mas é engraçado, por que eu vejo o show do Los hermanos, por exemplo, nas músicas mais "lentinhas" a platéia adota um movimento de pêndulo pacífico, suave. E nas músicas "animadinhas" o pessoal dança de boa também.. sem se matar.

Acho que a imagem que a banda tem também, influencia muito no comportamento da platéia.. O Mudhoney carrega consigo essa carga de "queremos grunge denovo" -pra muitas pessoas. Agora, a posição que o Mark Arm tomou ao dizer aquela frase, foi tremenda! Se os caras da banda não querem bagunça, já eh um grande movimento..

Agora só faltam as pessoas pararem de querer estar no (...)

donatella da silva said...

Anônimo,
não estou falando de etiqueta, e sim de consideração com quem está em volta!
Um tanto egoísta esse calor do momento hein?

=)

Anonymous said...

eu não machuquei ninguém.

donatella da silva said...

Não me referi a você, anônimo, só procurei esclarecer o que quis dizer no texto.
Quanto ao SEU calor do momento, parabéns para ele!

doloridocolorido said...

hahaha
não sei o que é melho o texto ou os comentários. Alguns estacionam no 14 acredite.

ah e eu não conheço Mudhoney, céus estou ultrapassada... rs

Anna Clara said...

diga não aos pisoteamentos.

Azrael said...

aiai... brasilia eé CHEIA de gente assim...

ate samba de raiz é motivo para uma rodinha punk

Anonymous said...

merrrrmão.
Quem vai programado pra dar mosh, "rodinha punk" e afins, não tá com nada.

Agora, ir num show bom e mandar tudo à merda e aproveitar como se fosse um culto evangélico é outra coisa.

E se eu tiver 14 anos?!? Tenho 14 mas sou feliz :)

donatella da silva said...

Que é isso, merrmão, culto evangélico é moh rock n roll! heuehuehu er... não.

Tem 14? te invejo.

Agora chega de comentar no meu próprio blog, isso é muito decadente.... =/

Anonymous said...

não precisa invejar, é só se jogar tbm!

vc já viu a excitação dos crentes? alguns são bem mais animados que muitos frequentadores de shows.

chega mesmo.
daqui um ano eu volto, mas ... continue escrevendo!!!!!!
amém.

intelligence said...

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